quarta-feira, 1 de junho de 2011

Rotcha Lisa - 140 metros

Chegados a São Nicolau a emoção tomou conta de nós, éramos uns putos a olhar para todo o lado onde avistávamos rocha. Aquilo é mesmo a loucura, rocha por todo o lado, montanhas fabulosas e paisagens de cortar a respiração. Quem aqui vai e não toca na rocha vem com uma ideia que aquilo é o paraíso de qualquer escalador. Numa das noites de tocatina no bar da cidade fala-mos com um rapaz que nos contou que há alguns anos, um escalador espanhol de nome Eduardo também procurou rocha, fez sete furos junto ao Mar e desistiu. Mas nós queríamos mesmo encontrar algo que fosse a marca vertical de Cabo Verde e depois de percorrermos quase a ilha toda e não encontrarmos nada com qualidade suficiente, decidimos carregar as mochilas e ir para o meio das Montanhas á procura de melhor.
Encontramos a 2h30 de marcha muito elevada aquilo que procurávamos, Rotcha Lisa -140 metros, uma placa linda. Peguei no martelo fiz depilação ás pernas nas enormes piteiras e cactos, mas consegui chegar á base que me pareceu com muita coisa para limpar mas com uma consistência que me agradava, depois da desgraça que tinham sido outras zonas com rocha podre e fracturada.
No dia seguinte já em formato de expedição com o meu carregador de altura, lá fomos para equipar a primeira via de escalada desportiva em São Nicolau. Comecei por cima coloquei um top e fui andando para baixo, coloco 2 protecções e de repente a rocha muda completamente voltamos a lages ôcas, frágeis e com uma camada superficial em decomposição, não desisto e desço cerca de 10 metros até uma cova, aí volto a colocar um top e coloco mais 4 protecções, começo a chegar á zona mais escura da placa e espero que aí seja a loucura do basalto, mas não, lages de 4, 5,6 metros podres e a mandarem-me embora dali literalmente. Mais para baixo a coisa não ficou melhor, encontramos zonas onde conseguimos colocar uns pernos para descer mas o sentido de responsabilidade falou mais alto e acabamos por desistir , ali não faria-mos nada a não ser gastar material para nada, foi difícil deixar aquele paredão mas o Espanhol tinha razão, 7 furos bastaram-lhe para ele se ir embora mas eu como bom Português tinha que fazer 17 para me sentir realizado.































































































































































segunda-feira, 30 de maio de 2011

Os Elementos da Fu na na







Zé - O Chefe, alta liderança, conhecido por apaziguar eventuais conflitos com a sua caixinha de chanax.









Juvenal - Logística e Transportes , um há vontade com as gentes locais, parecia mesmo que era da ilha, conseguiu um almoço a 1000 metros de altura








Demis - O aberturista , sempre na linha da frente cantava temas de Lura e Cesária, um
bom guitarrista.









- Carregador de altitude, fez amizade com algumas mulas e burros
















Didi - Guia de Montanha , conhece os trilhos da ilha como ninguem , mas não volta a meter-se com os caminheiros de Portugal.

Expedição Fu na na o que é isso!?



A expedição fu na na consistia em escalar e equipar pela primeira vez na ilha de São Nicolau em Cabo Verde. Não consigo precisar mas no ano de 2006 ou até antes, o equipador catalão David Brascò equipou cerca de 20 vias na Praia, talvez tenha sido o primeiro escalador a fazer tal feito em Cabo Verde. Em 2009 a ilha de Santo Antão recebeu pela primeira vez um Encontro Internacional de Canyoning e a empresa Cabo Verde No Limits tem equipado algumas vias de escalada. Na ilha do Fogo sei que no final do ano 2010 uma Associação local começou a equipar vias de escalada no Vulcão e estão em preparação os croquis.
Então a nossa ideia era ir a São Nicolau desbravar aquilo tudo e encontrar um tesourinho escondido. Tal não aconteceu , mas valeu a experiência numa ilha Verde e Saudavel com gente carinhosa e acolhedora.